quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Conto: Pedaço de Pão Caro


Um homem não é grande pela transformação, mas também pela explicação
A felicidade por ter sido aprovado no concurso para Agente Municipal Administrativo, mesmo em vigésimo sétimo de trinta contemplados, tinha encontrado morada em meu espírito, da extrema miséria, onde recebia trinta e cinco reais de um programa assistencial, sendo que o salário mínimo estava em seiscentos e vinte e quatro, ficaria marcante apenas os vinte e dois anos passados e o importante seria viver o futuro daqui para frente.
Em contra partida a isso, fazia tratamento de um transtorno mental que teve seu desencadeamento numa viagem de estudo a São Paulo, em que por falta de um ponto, deixei de ganhar uma bolsa de direito na Ages e ganhei na UNIP. Lá sem apoio, e em uma casa de estudante muito suspeita, ocorreram dois eventos que levaram meu psicológico a pressões altíssimas, assim o transtorno se desencadeou.
O primeiro foi quando tirei as cópias dos documentos para confirmação da bolsa do prouni na faculdade UNIP, um estranho me seguiu, e até um trecho que levava a casa de estudante suspeita, fiquei tranqüilo, achando que ele seguiria o caminho dele, mas isso não ocorreu, e nervoso apertei o passo e consegui despistá-lo tomando distância e entrando em uma Han House de imigrantes japoneses. Conservei sobre o que havia ocorrido e a proprietária apenas respondeu "pode ficar, Deus é contigo".
No segundo, um ex-casa do menor, já adulto, namorado da enteada de onde fiquei após sair da casa de estudante, frequentava muito o local, e surgiam muitas conversas sobre ele não ter se regenerado e que poderiam cometer atentados contra ele e contra o amigo dele. Aquilo foi o estopim para minha continuação em São Paulo, havia decidido desistir da bolsa, mesmo porque meu plano era se matricular na UNIP e pedi transferência para a Ages, fiz o pedido, contudo, não aceitaram.
Com retorno a cidade e aprovado no concurso, agora era só esperar a convocação, nos primeiros dois anos, fui incansavelmente em busca de informações sobre a convocatória, no entanto, tudo que o prefeito dizia era que não podia passar nenhum aprovado na frente de outro, com isso deixei de ser tão assíduo, acreditando que a prefeitura entraria em contato comigo quando a convocação saísse.
No ultimo mês de caducar o certame, quatro anos depois do edital, saiu a minha convocação na parede, mas só fiquei sabendo, de maneira informal, duas semanas depois, acreditando que o prefeito relevaria por ter sido um atraso tão curto, e por ter chamado em um limite tão apertado, me apresentei. Porém se negaram a chamar novamente, meu sonho e esforço de evoluir de bolsa-família para salário mínimo estava comprometido, por causa da falta de uma convocação formal. O império de obscuridade oprimia e tirava direitos de mais um batalhador em virtude de acordos políticos desleais e ilegais.
Entrei na justiça, mas a justiça nunca marcou uma audiência.
Passou-se o governo, entrou outro prefeito, dito como humanista e diferente, foi a eleição de 2016. Confiante no que diziam dele, perdi que revise a convocatória. Ele pegou a petição e disse "meu jurídico verá isso". Aí vi que tinha algo errado em considerá-lo humanista e diferente.
Então conversei com o jurídico da prefeitura, que sempre dizia, vou analisar, mas em 6 meses não tinham analisado nada, eu decide analisar independentemente, e encontrei que além do antigo gestor não ter convocado de maneira formal, também não tinha registrado a convocatória no diário oficial do município, algo ilegal e imoral.
Alertei ao Jurídico municipal, que disserem que entrariam em contanto, porém, a mais de dois anos que ignoram os direitos e negam-se a reconhecê-los. A justiça nunca respondeu. Felizmente, evoluir e sair do bolsa-família, feliz, recebo atualmente meio salário mínimo.

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