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| A ocupação nem sempre é a correta |
- Mãe, onde estar meus sapatos ? Preciso encontrá-los para ir a escola. – Perguntou Junior já uniformizado.
- Estou ocupada preparando o café. – D. Flor com uma voz meio irritada, respondeu.
Junior percebeu que a mãe não viria ajudá-lo e começou a procurar por conta própria. Levantou o colchão da cama. Abriu a gaveta, as portas do armário. Depois meio desanimado, sentou na cama com uma cara amarrada, foi quando olhou para a porta do quarto, que estava aberta.
Logo pensou "deve estar atrás daquela porta", se tratava de uma porta branca com um poster de Raul Seixas para quem batesse do lado de fora, escrito, "VOTE NULO, NÃO SUSTENTE PARASITAS".
Se levantando, Junior seguiu até a porta, segurou a maçaneta e a puxou para direção de fechamento, quando olhou para o chão, o par de sapatos estava lá. Ao pega-los, ficou muito contente, e ali mesmo os calçou, pois tinha pressa para fazer a refeição da manhã.
- Encontrou o sapato Junior ? – D. Flor tinha uma cara de brincalhona.
- Sim mãe, o encontrei. O que temos para o café ?
Com o cuscuzeiro na mão, D. Flor o colocou na mesa.
Quando retirou a tampa, um aroma agradabilíssimo dominou a cozinha. Junior, salivando, os olhos salpicavam em direção ao cuscuzeiro.
- É um cuscuz recheado, filho. Aquela receita da sua avó, mãe do seu pai. – D. Flor estava contente com a expressão no rosto de seu filho.
Colocando a ultima colher de cuscuz recheado na boca, Junior parou e olhou para sua mãe que o observava. Ela sempre curtia os momentos de felicidade de seu filho. Mas para Junior aquilo era só uma refeição, não tinha nada de mágico.
- Bi, bi, - buzinou o ônibus.
Pegando a mochila que estava no braço da cadeira, Junior saiu correndo, após dar um beijo na mãe, para não perder o transporte. Próximo a porta, viu que um dos colegas descia para chamá-lo pessoalmente em sua casa que não era nem tão simples nem tão sofisticada. A trancando, Junior fez sinal para que o colega esperasse. Depois de trancá-la, voltou a correria, empareou com o colega e deu um toque para que ele corresse também. O colega era meio gordinho, mesmo assim correu junto com Junior, em direção ao ônibus.
Dentro do ônibus, em poltronas na mesma fila, Junior e o colega começaram a conversar.
- O que você vai levando de lanche ? – Junior abriu a mochila.
- Estou levando dois sanduíches de queijo com presunto – o colega gordinho mordia os lábios.
Junior tirou um potinho plástico, apontou para o colega.
- Vou levando duas fatias lasanha – Junior o abriu para mostrá-la.
Quando passavam pela praça, junto à estátua do monsenhor responsável pela doutrinação católica na cidade, fizeram o sinal da cruz, fecharam os olhos e meditaram. Aquilo era um ritual diário, que acreditavam por direcionamento dos pais, que traziam grandes bênçãos.
Descendo, viram que o professor sorridente, os esperava na porta do colégio. Era um professor alto, magro e com um óculos. Os alunos e ele tinham um relacionamento muito bom. Tudo que o professor ensinava, eles ficavam na maior vontade de aprenderem.
- Bom dia à todos! Bom dia à todos! – gritava o professor.
Os alunos passavam por ele e cumprimentavam com um toque de mãos, seguindo para a sala de aula, a qual se mantinha sempre organizada, devido a disciplina aplicada e aceita. Na sala de aula o professou após todos os alunos estarem nas cadeiras de estudantes, sentou na cadeira de professor junto à mesa e perguntou "hoje é um dia de tema livre. O que querem que eu ensine ?".
Seus aprendizes responderam rapidamente, "as funções das histórias da carochinha".
Com toda a atenção dos alunos, se começou as explicações, desde por que o gato falava até por que as bruxas morriam.
O dia de aula foi recompensador para ambos, professor e alunos. Estavam realizados. Só faltava saber quando estariam em casa. Os alunos para contar da aula para os pais, o professor para a esposa.
Junior quando chegou em casa, passou o dia no tablet, vendo vídeos de curiosidades. À noite antes de dormi, pediu a mãe que lesse uma história da carochinha.
- Não posso, agora vá dormir. – a mãe se levantou em direção à porta do quarto.
Antes dela sai, Junior falou alto:
- Ninguém gosta de mim! Que merda!

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