segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Conto: O Dia da Descoberta


Perambulava, na manhã, pelas ruas da pequena cidade de Outrem, em algumas esquinas tinham pessoas que seguiam sua rotina, ou de trabalho, ou de estudo, ou de compras, além da de recebimento de pagamentos. Na minha mente, não conformada com o vazio, ficava o desejo de mudar, de tentar propor as autoridades legislativas da cidade, projetos em que pudessem manifestar interesse, cheguei a conversar com dois, porém, a importância dada foi mínima, mesmo mostrando ser conhecedor da estrutura de um projeto e desenvolvimento, que são em essência, necessidade, orçamento, justificativa e aplicação social. Isso me desmotivou, confesso que não era capaz de desenvolver um projeto unicamente para tê-lo guardado na gaveta, sem o minimo de analise de viabilidade. Por isso, deixei-o de lado.

Nessas caminhadas, parei na prefeitura, um órgão com uma arquitetura impressionante, assemelhada a casa rosada, residência do presidente da Argentina. Não fui bem vindo, e alguns puxa-sacos, fortalecidos unicamente por agrupação politica, tentaram de todas as formas impedirem minha entrada, e conseguiram, contudo, é muito comum vê cidadão lá tentando ou manifestando ou reivindicando seus direitos, até mesmo fiscalizando, dependendo da classe, eu não queria algo diferente, mas lá não é bem um lugar democrático, e tanto seu posicionamento político, quanto decisões da mesma espécie, fazem com que sofra e tenha a deficiência de atendimento.

Outrem é um cidade que nunca teve seu reconhecimento, nunca nenhum gestor conseguiu desenvolvê-la, seja em qual área fosse,  industrialização,  educação técnica e superior, para se ter uma ideia, a maioria das cidades da região tem universidades e cursos técnicos públicos e/ou privados.

Pode haver uma luta para a qualificação dos cidadãos de Outrem, contudo, ela está intrinsecamente relacionada a interesses políticos e financeiros particulares, nisso, os líderes das reivindicações  democráticas, pleiteiam cargos públicos eletivos e comissionados, e quando chegam a esse cargos, sim muitos já alcançaram o pleito, seguem a cartinha política vigente, onde a importância social ou mudanças politicas são combatidas.

Continuei perambulando, altamente sensível, até que passou por mim, uma moça com seu filho com um shortinho curto, a abordei, por achar seu bumbum muito bonito, fiz um pedido se podia tocar, ela disse sim, entretanto,  percebi que aquilo que estava por fazer se tratava de um assédio, então me afastei dela, que pareceu ter levado um susto com o ato. Foi um dos piores momentos da minha vida, pois sei que em Outrem, ou qualquer outra cidade com um alto índice de ambiciosos inescrupulosos ou cabritos políticos, destruir pessoas é a principal atividade na comunicação, acho não sei, que deram várias versões fofocais sobre o ocorrido.

Em Outrem continua sem se respeitar as demandas solicitadas pela população e não se abre para um relacionamento online, isso pensa, não só para o município como também para o cidadão; eu, tenho várias metas (Enem, Cinema, Livro, TV, Concurso, Missões Evangelizadoras), mas infelizmente meu neurológico (memoria fraca) e muscular me limita muito, e os pedidos de consultas pelo SUS, não tive mais condições de bancar consultas privadas, tem pelo menos um semestre que foram feitos e ainda não consegui nem agendamento para eles com a finalidade de começar um tratamento.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Conto: Ninguém Gosta de Mim

A ocupação nem sempre é a correta
- Mãe, onde estar meus sapatos ? Preciso encontrá-los para ir a escola. – Perguntou Junior já uniformizado.
- Estou ocupada preparando o café. – D. Flor com uma voz meio irritada, respondeu.
Junior percebeu que a mãe não viria ajudá-lo e começou a procurar por conta própria. Levantou o colchão da cama. Abriu a gaveta, as portas do armário. Depois meio desanimado, sentou na cama com uma cara amarrada, foi quando olhou para a porta do quarto, que estava aberta. 
Logo pensou "deve estar atrás daquela porta", se tratava de uma porta branca com um poster de Raul Seixas para quem batesse do lado de fora, escrito, "VOTE NULO, NÃO SUSTENTE PARASITAS".
Se levantando, Junior seguiu até a porta, segurou a maçaneta e a puxou para direção de fechamento, quando olhou para o chão, o par de sapatos estava lá. Ao pega-los, ficou muito contente, e ali mesmo os calçou, pois tinha pressa para fazer a refeição da manhã.
- Encontrou o sapato Junior ? – D. Flor tinha uma cara de brincalhona.
- Sim mãe, o encontrei. O que temos para o café ? 
Com o cuscuzeiro na mão, D. Flor o colocou na mesa.
Quando retirou a tampa, um aroma agradabilíssimo dominou a cozinha. Junior, salivando, os olhos salpicavam em direção ao cuscuzeiro.
- É um cuscuz recheado, filho. Aquela receita da sua avó, mãe do seu pai. – D. Flor estava contente com a expressão no rosto de seu filho.
Colocando a ultima colher de cuscuz recheado na boca, Junior parou e olhou para sua mãe que o observava. Ela sempre curtia os momentos de felicidade de seu filho. Mas para Junior aquilo era só uma refeição, não tinha nada de mágico.
- Bi, bi, - buzinou o ônibus.
Pegando a mochila que estava no braço da cadeira, Junior saiu correndo, após dar um beijo na mãe, para não perder o transporte. Próximo a porta, viu que um dos colegas descia para chamá-lo pessoalmente em sua casa que não era nem tão simples nem tão sofisticada. A trancando, Junior fez sinal para que o colega esperasse. Depois de trancá-la, voltou a correria, empareou com o colega e deu um toque para que ele corresse também. O colega era meio gordinho, mesmo assim correu junto com Junior, em direção ao ônibus.
Dentro do ônibus, em poltronas na mesma fila, Junior e o colega começaram a conversar.
- O que você vai levando de lanche ? – Junior abriu a mochila.
- Estou levando dois sanduíches de queijo com presunto – o colega gordinho mordia os lábios.
Junior tirou um potinho plástico, apontou para o colega.
- Vou levando duas fatias lasanha – Junior o abriu para mostrá-la.
Quando passavam pela praça, junto à estátua do monsenhor responsável pela doutrinação católica na cidade, fizeram o sinal da cruz, fecharam os olhos e meditaram. Aquilo era um ritual diário, que acreditavam por direcionamento dos pais, que traziam grandes bênçãos.
Descendo, viram que o professor sorridente, os esperava na porta do colégio. Era um professor alto, magro e com um óculos. Os alunos e ele tinham um relacionamento muito bom. Tudo que o professor ensinava, eles ficavam na maior vontade de aprenderem.
- Bom dia à todos! Bom dia à todos! – gritava o professor.
Os alunos passavam por ele e cumprimentavam com um toque de mãos, seguindo para a sala de aula, a qual se mantinha sempre organizada, devido a disciplina aplicada e aceita. Na sala de aula o professou após todos os alunos estarem nas cadeiras de estudantes, sentou na cadeira de professor junto à mesa e perguntou "hoje é um dia de tema livre. O que querem que eu ensine ?". 
Seus aprendizes responderam rapidamente, "as funções das histórias da carochinha".
Com toda a atenção dos alunos, se começou as explicações, desde por que o gato falava até por que as bruxas morriam. 
O dia de aula foi recompensador para ambos, professor e alunos. Estavam realizados. Só faltava saber quando estariam em casa. Os alunos para contar da aula para os pais, o professor para a esposa.
Junior quando chegou em casa, passou o dia no tablet, vendo vídeos de curiosidades. À noite antes de dormi, pediu a mãe que lesse uma história da carochinha.
- Não posso, agora vá dormir. – a mãe se levantou em direção à porta do quarto.
Antes dela sai, Junior falou alto:
- Ninguém gosta de mim! Que merda!

Conto: Pedaço de Pão Caro


Um homem não é grande pela transformação, mas também pela explicação
A felicidade por ter sido aprovado no concurso para Agente Municipal Administrativo, mesmo em vigésimo sétimo de trinta contemplados, tinha encontrado morada em meu espírito, da extrema miséria, onde recebia trinta e cinco reais de um programa assistencial, sendo que o salário mínimo estava em seiscentos e vinte e quatro, ficaria marcante apenas os vinte e dois anos passados e o importante seria viver o futuro daqui para frente.
Em contra partida a isso, fazia tratamento de um transtorno mental que teve seu desencadeamento numa viagem de estudo a São Paulo, em que por falta de um ponto, deixei de ganhar uma bolsa de direito na Ages e ganhei na UNIP. Lá sem apoio, e em uma casa de estudante muito suspeita, ocorreram dois eventos que levaram meu psicológico a pressões altíssimas, assim o transtorno se desencadeou.
O primeiro foi quando tirei as cópias dos documentos para confirmação da bolsa do prouni na faculdade UNIP, um estranho me seguiu, e até um trecho que levava a casa de estudante suspeita, fiquei tranqüilo, achando que ele seguiria o caminho dele, mas isso não ocorreu, e nervoso apertei o passo e consegui despistá-lo tomando distância e entrando em uma Han House de imigrantes japoneses. Conservei sobre o que havia ocorrido e a proprietária apenas respondeu "pode ficar, Deus é contigo".
No segundo, um ex-casa do menor, já adulto, namorado da enteada de onde fiquei após sair da casa de estudante, frequentava muito o local, e surgiam muitas conversas sobre ele não ter se regenerado e que poderiam cometer atentados contra ele e contra o amigo dele. Aquilo foi o estopim para minha continuação em São Paulo, havia decidido desistir da bolsa, mesmo porque meu plano era se matricular na UNIP e pedi transferência para a Ages, fiz o pedido, contudo, não aceitaram.
Com retorno a cidade e aprovado no concurso, agora era só esperar a convocação, nos primeiros dois anos, fui incansavelmente em busca de informações sobre a convocatória, no entanto, tudo que o prefeito dizia era que não podia passar nenhum aprovado na frente de outro, com isso deixei de ser tão assíduo, acreditando que a prefeitura entraria em contato comigo quando a convocação saísse.
No ultimo mês de caducar o certame, quatro anos depois do edital, saiu a minha convocação na parede, mas só fiquei sabendo, de maneira informal, duas semanas depois, acreditando que o prefeito relevaria por ter sido um atraso tão curto, e por ter chamado em um limite tão apertado, me apresentei. Porém se negaram a chamar novamente, meu sonho e esforço de evoluir de bolsa-família para salário mínimo estava comprometido, por causa da falta de uma convocação formal. O império de obscuridade oprimia e tirava direitos de mais um batalhador em virtude de acordos políticos desleais e ilegais.
Entrei na justiça, mas a justiça nunca marcou uma audiência.
Passou-se o governo, entrou outro prefeito, dito como humanista e diferente, foi a eleição de 2016. Confiante no que diziam dele, perdi que revise a convocatória. Ele pegou a petição e disse "meu jurídico verá isso". Aí vi que tinha algo errado em considerá-lo humanista e diferente.
Então conversei com o jurídico da prefeitura, que sempre dizia, vou analisar, mas em 6 meses não tinham analisado nada, eu decide analisar independentemente, e encontrei que além do antigo gestor não ter convocado de maneira formal, também não tinha registrado a convocatória no diário oficial do município, algo ilegal e imoral.
Alertei ao Jurídico municipal, que disserem que entrariam em contanto, porém, a mais de dois anos que ignoram os direitos e negam-se a reconhecê-los. A justiça nunca respondeu. Felizmente, evoluir e sair do bolsa-família, feliz, recebo atualmente meio salário mínimo.